O julgamento do actor francês Gérard Depardieu, acusado de agressão sexual a duas mulheres, arranca esta segunda-feira, depois de ter sido adiado em Outubro último, quando Depardieu não compareceu em tribunal, com o advogado a justificar a ausência dele por problemas de saúde.
Em Abril passado, o actor francês foi intimado a comparecer em tribunal por agressões sexuais alegadamente cometidas em Setembro de 2021 contra duas mulheres, durante a rodagem do filme ‘Les Volets verts’, de Jean Becker. Uma das mulheres, decoradora, apresentou queixa por agressão sexual, assédio sexual e comentários sexistas, garantindo haver testemunhas do ocorrido; a outra vítima, assistente de direcção, denunciou também actos considerados de agressão sexual por parte do actor.
Depardieu tem ainda pendente uma queixa de violação e agressão sexual apresentada em 2018 pela actriz Charlotte Arnould e da qual não há ainda decisão judicial, e outra da jornalista espanhola Ruth Baza. Há ainda outros casos anteriores que prescreveram.
O jornal francês ‘Le Parisien’ noticiou que uma decoradora de cenário, de 53 anos, alegou que Depardieu a agarrou e tocou na cintura, no estômago e nos seios durante as filmagens de “Les Volets verts”, de acordo com a advogada da queixosa Carine Durrieu Diebolt, que apresentou queixa ao Ministério Público parisiense em Fevereiro.
Numa carta aberta, divulgada em Outubro, Depardieu afirmou: “Nunca, nunca abusei de uma mulher”.
A propósito do comportamento de Depardieu em cena, a actriz Anouk Grinberg, que participou naquele filme, contou à agência de notícias France-Presse (AFP) ter ouvido “comentários obscenos” “de manhã à noite”.
“Quando os produtores contratam Depardieu para um filme, eles sabem que estão a contratar um agressor”, afirmou a actriz.
A outra queixa contra Depardieu foi apresentada por uma antiga assistente, que o acusa de agressão sexual em 2014, nomeadamente por “comentários obscenos”, durante reuniões em casa, em Paris, e por “propostas sexuais” durante a rodagem do “Le Magicien et les Siamois”, de Jean-Pierre Mocky.
Gerard Depardieu, que a AFP considera “um gigante do cinema francês”, enfrenta ainda outras três queixas de violação, uma delas por denúncia da actriz Charlotte Arnould, e uma pela jornalista espanhola Ruth Baza.
Em Dezembro passado, o canal France 2 exibiu, no programa “Complément d’investigation”, imagens captadas durante uma viagem de Depardieu à Coreia do Norte em 2018, nas quais o actor surge a fazer comentários de carácter sexual a mulheres, sobre mulheres e sobre uma criança.
A exibição do programa levou várias personalidades do teatro e do cinema a afirmar que não voltariam a trabalhar com Depardieu e esteve na base das declarações da antiga ministra da Cultura francesa Rima Abdul Malak sobre a possibilidade de ser retirada a Legião de Honra ao actor.
Depardieu, através dos advogados, colocou a condecoração à disposição do Governo e declarou-se vítima de “um linchamento mediático”.
Na altura, o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse à France 5 ser um “grande admirador” de Depardieu e afastou a possibilidade de retirar a Legião de Honra sem haver uma condenação na justiça.