Para assinalar o Dia Internacional contra a Publicidade, apoiantes do coletivo Climáximo substituíram os anúncios por obras de arte que denunciam os impactos da publicidade automóvel.
O objetivo da ação foi “chamar a atenção para as consequências negativas da publicidade automóvel, como recentemente demonstrado no relatório francês da Résistance à l’Agression Publicitaire (RAP), ‘Stop à la Pub Automobile – La voiture à l’assaut de notre imaginaire’ (A publicidade automóvel ataca a nossa imaginação).” De acordo com o coletivo, “estes anúncios perpetuam estereótipos e encorajam os excessos automobilísticos individualistas incompatíveis com uma transição energética ecológica e justa que prioritiza os transportes públicos”.
Os cartazes que apontam as contradições e os danos da publicidade automóvel foram colocados esta manhã em vários espaços publicitários em locais como o Cais do Sodré e Santa Apolónia, por onde passam centenas de pessoas nas suas jornadas para o trabalho.
“Como um retábulo de Van Eyck para a era do colapso, esta peça apresenta O Juízo Final. Condena os publicitários e os fabricantes de automóveis que vendem a velocidade e o excesso como salvação. A Tesla e a indústria dos veículos elétricos disfarçam a destruição com uma auréola verde, mas mais carros – elétricos ou não – não nos vão salvar”, referiu o artista Michelle Tylicki, de Lisboa, que concebeu um dos cartazes.
O Climáximo afirma que “o setor dos transportes, movido em grande parte a combustíveis fósseis, é responsável por uma boa parte das emissões de gases com efeito de estufa. Mas a solução não está na indústria dos carros elétricos, com as suas práticas extrativas e soluções individualistas para os 1% mais ricos. Precisamos de um sistema de transportes públicos gratuito, eficaz e acessível para todas as pessoas e em todo o território, inclusive ligações internacionais”.
No ‘Plano de Desarmamento e de Paz’ do Climáximo, cuja edição ilustrada por Nuno Saraiva foi lançada o mês passado, o coletivo traça “um plano realista, justo, e compatível com os prazos da crise climática para fazer esta transição energética e criar um sistema de transportes públicos para todas as pessoas, entre outras medidas necessárias para uma transformação social, do trabalho e da produção a larga escala.
O coletivo relembra ainda que “os setores automóveis e da aviação são um bloqueio direto ao investimento na ferrovia e em sistemas de transportes públicos”, e apela a todas as pessoas “que se juntem à assentada popular ‘Parar Os Aviões’ no dia 1 de junho no aeroporto de Lisboa para travar os projetos de expansão da aviação e por mais transportes para o povo”.