O secretário-geral do Eixo Atlântico (EA) do Noroeste Peninsular, Xoán Mao, disse esta quinta-feira que a “época dourada” para as infraestruturas rodoferroviárias entre a Galiza e o Norte de Portugal foi durante os governos de António Costa.
“Para nós, a época dourada das infraestruturas foi com Costa. Costa cumpriu todos os compromissos. Reuniu-se com o Eixo Atlântico. Recebeu-nos, pessoalmente, várias vezes, conseguimos desbloquear a Linha do Minho, conseguimos impulsionar a nova linha, que no troço norte vai até à fronteira com a Galiza”, afirmou.
Xoan Mao, que falava durante a apresentação, na Câmara de Viana do Castelo, do relatório Infraestruturas Rodoviárias e Ferroviárias na Eurorregião Galiza/Norte de Portugal, acrescentou que o atual primeiro-ministro Luís Montenegro, “está a honrar os compromissos de Costa”, mas criticou a atuação do ministro da Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
“Não tenho o prazer de o conhecer porque nunca reuniu com o Eixo Atlântico. Acho que deveria ter um bocado mais de sensibilidade com as 39 autarquias portuguesas e galegas que integram o Eixo Atlântico “, disse.
Segundo Xoán Mao, o ministro das Infraestruturas em funções foi à Galiza reunir-se com os congéneres da Junta Autónoma, considerando que a decisão “não ajuda ao equilíbrio institucional necessário entre os Governos dos dois países”.
“Vai à Galiza reúne-se com a Junta e, no dia seguinte, a Junta utiliza isso como arma de arremesso contra o Governo de Madrid. Portugal deve manter-se sempre na linha institucional. São assuntos para os primeiros-ministros resolverem”, frisou.
PORTUGAL CUMPRE
Xoán Mao elogiou o modelo “sério e responsável” como em Portugal são definidas as prioridades de investimento em infraestruturas rodoferroviárias, ao contrário de Espanha em que “são armas de arremesso político e eleitoral”.
“Portugal aprova as propostas do Plano Nacional Ferroviário, aprova na Assembleia da República e passam a ser compromissos de Estado. Podem ser alterados, mas o Governo de Luís Montenegro honrou os compromissos de António Costa. Em Espanha, tudo é uma arma de arremesso para atirar à cabeça de todos e as infraestruturas são as primeiras. As infraestruturas não podem ser uma arma eleitoral”, especificou.
Para Xoán Mao, “Portugal quando se compromete, cumpre, apontando como exemplo a modernização e eletrificação da Linha do Minho, e a nova linha de Lisboa, Braga até à fronteira com a Galiza”.
Para o presidente do Eixo Atlântico, Luís Nobre, “há quatro fatores que são determinantes no ciclo de desenvolvimento das infraestruturas”.
“A primeira é a vontade política que é fundamental”, apontou, acrescentando a disponibilidade orçamental, a tramitação administrativa e o grau de complexidade das obras.
Para Luís Nobre, que é também presidente da Câmara de Viana do Castelo, “quando se trata de obras que atravessam fronteiras, acrescenta-se um fator adicional: o acordo entre os governos dos países por onde esse comboio, autoestrada ou estrada vai passar”.
Segundo Luís Nobre, “tem sido a intervenção do Eixo Atlântico que tem conseguido o desenvolvimento da eurorregião aos mais variados níveis”.
“O Eixo Atlântico é uma plataforma apartidária, com consciência crítica ao serviço das cidades, dos agentes económicos e das populações. Elogia quando tem de elogiar, critica e reivindica quando tem de o fazer”, adiantou.
O relatório Infraestruturas Rodoviárias e Ferroviárias na Eurorregião, referente à Galiza e ao Norte de Portugal, hoje apresentado, faz o ponto de situação sobre vários investimentos a fevereiro deste ano.
Na região portuguesa, elenca os estados atuais projetos ferroviários de Alta Velocidade Lisboa-Porto e Porto-Valença, o Corredor Internacional Norte Aveiro-Vilar Formoso, a Linha do Douro e a Linha do Vouga.
Já na Galiza, são elencados os projetos ferroviários do Eixo Atlântico de Alta Velocidade e as linhas Ourense-Lugo, Vigo-Ourense, Ramal Guillarei – Fronteira com Portugal, Corunha-Lugo, Monforte de Lemos-León e Lugo-Santiago de Compostela.
Elenca também as infraestruturas rodoviárias galegas, no caso a autoestrada A54 (Lugo-Santiago de Compostela), a A56 (Lugo-Ourense), a A59 (Pontevedra-Vigo) e a A76 (Ponferrada-Ourense).