A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto está a analisar de “forma rigorosa” a alegada divulgação num grupo de WhatsApp de fotografias e vídeos de alunas, gravados sem o seu consentimento, segundo uma informação divulgada esta sexta-feira aos estudantes.
Num comunicado dirigido à comunidade da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) a que a Lusa teve acesso, o diretor, Rui Calçada, explicou estar a acompanhar “de forma atenta e rigorosa” o evoluir da situação.
A alegada divulgação num grupo de WhatsApp de fotografias e vídeos de alunas, gravados sem o seu consentimento, foi revelada pela fundadora do movimento Não Partilhes, Inês Marinho, na rede social Instagram.
“Várias raparigas foram fotografadas por baixo das mesas e, sucessivamente, por baixo das saias. Descobriu-se também que existe um grupo de WhatsApp com oito pessoas onde se faz este tipo de partilhas e outras partilhas de conteúdo mais íntimo. Este grupo é constituído por ex-membros e membros atuais da Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto [AEFEUP]”, expôs Inês Marinho.
No comunicado enviado à comunidade da FEUP, o diretor realçou que “estão a ser recolhidas e analisadas todas as informações relevantes de forma a apurar com rigor os factos em causa e os eventuais responsáveis”.
A direção da FEUP está a tomar todas as medidas adequadas, interna e externamente, junto das entidades competentes, “tal como resulta da lei e dos regulamentos internos aplicáveis na Universidade do Porto”, acrescentou.
Rui Calçada ressalvou ainda que a direção da FEUP está “profundamente empenhada” em garantir um ambiente académico saudável e acolhedor, promovendo um ambiente de respeito mútuo.
Perante esta partilha, a AEFEUP ressalvou que, face às mensagens veiculadas nos últimos dias envolvendo alguns dos seus membros, todas as informações de que dispõe serão divulgadas na assembleia-geral extraordinária, agendada para quarta-feira, às 17h00.
“Perante isto, no que respeita a AEFEUP devido à campanha de desinformação e extrapolação dos factos, também serão entregues às entidades competentes todas as informações”, ressalvou numa informação igualmente publicada na rede social Instagram.
TOLERÂNCIA ZERO
Dizendo condenar veemente todo e qualquer tipo de comportamento “imoral e ilegal”, a associação reforça o compromisso de apuramento dos factos.
Por seu lado, a Federação Académica do Porto (FAP) considerou, numa informação publicada na sua página oficial de Internet, de que o momento atual exige tolerância zero perante quaisquer situações de abuso e discriminação no sistema de Ensino Superior, que é um espaço de promoção dos valores de igualdade e respeito.
“Até ao momento, a FAP não recebeu qualquer queixa relativa ao caso noticiado. Porém, caso se verifique a receção de qualquer denúncia, a mesma será remetida à Inspeção-Geral da Educação e Ciência para imediata averiguação”, frisou.
Nesta sequência, a FAP voltou a defender a criação de um mecanismo nacional que permita aos estudantes, vítimas de assédio ou discriminação, a apresentação de denúncias em condições de segurança e confidencialidade.
Com Porto Canal