O número de interrupções voluntárias da gravidez (IVG) aumentou pelo segundo ano consecutivo, de acordo com o Relatório de Análise dos Registos da Interrupção Voluntária da Gravidez de 2023.
O documento publicado esta sexta-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) revela que, durante o ano passado, foram registadas 17 124 interrupções da gravidez, um aumento de 3% face ao ano de 2022.
Os números dos últimos dois anos, adianta a DGS no relatório, “alteraram a tendência decrescente que vinha a verificar-se desde 2011”. Ainda assim, o aumento verificado no ano passado é “bastante menor” do que o que se registou em 2022, ano em que as interrupções voluntárias da gravidez aumentaram 15,9% em relação a 2021.
O aumento verificado no ano passado, acrescenta o relatório, “foi transversal à maioria das regiões do país”, com excepção para a região de Lisboa e Vale do Tejo.
Nos restantes parâmetros de análise, o relatório mostra que a interrupção da gravidez por opção da mulher nas primeiras 10 semanas de gravidez se mantém como o principal motivo em todas as idades, representando 96,7% do total. Já 2,8% das interrupções de gravidez deveram-se a doença grave ou malformação congénita do nascituro.
Em relação às idades em que são feitas as interrupções da gravidez, a DGS revela que “o grupo etário que registou maior número absoluto continuou a ser o dos 20-24 anos de idade”. A seguir surgem mulheres com idades entre os 25 e os 29 anos e 8,4% das IVG foram realizadas por mulheres com menos de 20 anos.
O Serviço Nacional de Saúde continua a ser o sector que realiza mais IVG nas primeiras 10 semanas de gestação, representando 65,5%, e o procedimento mais utilizado nestas unidades hospitalares continua a ser o medicamentoso (98,7%).
Já no sector privado, o método mais utilizado continua a ser o cirúrgico (81,5%), mas verificou-se uma diminuição deste procedimento em relação ao ano passado.
Ainda em relação aos locais onde são feitas as IVG, o relatório da DGS revela que “a maioria das grávidas recorreu por iniciativa própria a uma unidade pública (63,2%)”, mas aumentou o número de referenciação dos hospitais públicos para o sector privado.
Cerca de 90% das mulheres que realizaram IVG “escolheram, posteriormente, um método contraceptivo”, sendo que a escolha por um método de longa duração aumentou 1,1 pontos percentuais em relação ao ano de 2022.