Iwao Hakamada, um ex-pugilista japonês, recebeu uma indemnização de quase 1,3 milhões de euros depois de ter sido preso e condenado à morte em 1968. Esteve mais de quatro décadas no corredor na morte, sem saber quando poderia ser executado.
De acordo com o jornal de Notícias, que avança a informação, Hakamada, com 89 anos, foi libertado em 2014 e só no último ano foi totalmente ilibado, depois de ter sido injustamente condenado por um assassinato cometido em 1966. Esteve no corredor da morte durante o maior período registado em todo o mundo.
Depois da decisão de setembro do último ano, o Japão concedeu agora uma indemnização de quase 1,3 milhões de euros, que equivale a 76 euros por cada dia em que Iwao Hakamada esteve nestas condições, durante as mais de quatro décadas que passou preso. Segundo os meios de comunicação social japoneses, “trata-se de um recorde de indemnizações deste tipo”.
No novo julgamento, em setembro, o Tribunal Distrital de Shizuoka já tinha decidido que o homem não era culpado e que a polícia tinha adulterado as provas do crime, mas foi só esta segunda-feira que o tribunal estabeleceu a indemnização que devia ser atribuída a Iwao Hakamada.
“À luz das dificuldades e do sofrimento dos últimos 47 ou 48 anos, e tendo em conta a situação atual, penso que isto mostra que o Estado cometeu erros que não podem ser compensados”, afirmou o advogado Hideyo Ogawa, citado pelo JN.
Hakamada foi condenado pelo quádruplo homicídio em 1966 do patrão, a mulher e os dois filhos adolescentes do casal. Inicialmente, o homem negou todas as acusações, mas acabou por admitir o crime, naquilo que mais tarde veio a revelar ter sido uma confissão forçada.
Décadas de detenção, sob a ameaça constante de execução, já que no país os condenados podem ser informados poucas horas antes de que vão ser mortos, afetaram gravemente a saúde mental de Iwao Hakamada, descrito como um homem que vive “num mundo de fantasia”.
Hakamada vive agora com a irmã, que lutou sempre contra detenção do ex-pugilista. O homem é o quinto recluso no corredor da morte a quem foi concedido um novo julgamento, na história do Japão pós-guerra. No país, conseguir um novo julgamento é difícil e demorado.